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Países africanos procuram nova relação comercial com a China


O país asiático tornou-se, em 2009, o maior parceiro comercial de África. Pelas estatísticas chinesas, em 2018, o comércio China-África somou 204 mil milhões de dólares (179 mil milhões de euros), um crescimento homólogo de 20%.

Mais de cinquenta países africanos exibiram recentemente, na China, produtos com valor acrescentado, visando diversificar uma relação comercial em crescente, mas que do lado africano assenta sobretudo em matérias-primas.

Café, chocolate, produtos de beleza, têxteis ou joalharia, incluindo dos países africanos de expressão portuguesa, estiveram expostos no Centro de Convenções Internacional de Hunan, na província de Changsha, na primeira Exposição Económica e Comercial China/África.

Grupos de música e dança, envergando trajes típicos africanos, atraiam a curiosidade dos visitantes chineses.

“Queremos criar mais valias, mais emprego, para os jovens angolanos”, apontou à agência Lusa o coordenador executivo da Câmara de Comércio China/Angola, Adulai Baldé.

A cooperação da China com África tem sido dominada pelas relações entre Estados: bancos estatais chineses concedem empréstimos para construção de infraestruturas, a cargo de empresas estatais chinesas, servindo os recursos naturais dos respetivos países como colateral.

As indústrias chinesas abastecem-se assim no continente, obtendo petróleo em Angola, madeira em Moçambique ou cobre na Zâmbia, enquanto inundam com os seus produtos os mercados em Luanda, Maputo ou Lusaca, gerando a revolta nos comerciantes locais.

“O principal motivador da relação tem sido a busca estratégica de recursos por parte do Governo chinês, numa tentativa de garantir matérias-primas para as crescentes necessidades da China”, descreveu Ricardo Soares de Oliveira, Professor Associado no Departamento de Política e Relações Internacionais da Universidade de Oxford.

O secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Rodrigo Brum, considerou, porém, que a China tem uma vontade “genuína” de equilibrar o seu comércio com África.

“Essa é que é a questão importante: não pensarmos só na exportação de matérias-primas pelos países africanos, mas sim de produtos transformados; ter a contrapartida de investimentos chineses na produção e a concretização de investimentos produtivos”, apontou. “Acima de tudo aumentar a riqueza que fica nos países que exportam”, disse ainda.

Organizada em conjunto pelo ministério do Comércio chinês e o governo da província de Hunan, a exposição em Changsha foi lançada no âmbito do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), e visa estabelecer um “novo mecanismo” de cooperação comercial e económica entre a China e os países africanos.

O país asiático tornou-se, em 2009, o maior parceiro comercial de África. Pelas estatísticas chinesas, em 2018, o comércio China-África somou 204 mil milhões de dólares (179 mil milhões de euros), um crescimento homólogo de 20%.

Em setembro passado, na abertura da cimeira da FOCAC, em Pequim, o Presidente chinês, Xi Jinping, comprometeu-se em facilitar as importações oriundas de África, sobretudo de produtos transformados.

A importação por parte da China de componentes com valor agregado e bens agrícolas oriundos de África será também uma tendência natural, à medida que a mão-de-obra chinesa encarece e o país se começa a focar na produção de alta tecnologia.

“A China atingiu o ponto (máximo) da curva da industrialização” e África é o destino “económico natural” para o país iniciar o processo de “deslocação industrial”, descreveu à Lusa ministro da Indústria e Comércio de Moçambique, Ragendra Berta de Sousa.

“Nós temos muito espaço e uma baixa densidade populacional”, argumentou.

Berta de Sousa admitiu que a relação entre Pequim e o continente africano “tem a sua parte ideológica e geopolítica”, mas lembrou que “no mundo moderno o que de facto é determinante são as variantes económicas”.

“É algo que interessa economicamente aos dois lados”, lembrou.

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Data: 2019-07-04

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