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ANGOLA

Porto de Luanda reduz movimento de mercadorias no 1º trimestre


O Porto de Luanda registou no primeiro trimestre deste ano uma redução no movimento de mercadorias, ao serem manuseadas um milhão, 476 mil e 751 toneladas, uma quebra de 509 mil e 584 toneladas em relação ao período homólogo de 2017.

 

A redução drástica no movimento de mercadorias no Porto de Luanda deve-se à situação económica e financeira menos boa do país, bem como a dinâmica da indústria marítima, que ao longo deste período passou a usar navios de maior dimensão, segundo o administrador comercial deste porto, Manuel Zangui (na foto).

Em entrevista à Angop, a propósito do 73º aniversário do Porto de Luanda, que se assinalou dia 15 de Junho, o gestor lembrou que maior parte das mercadorias movimentadas pelo porto é importada, devido à fraca produção nacional, facto que inverteu o curso da actividade portuária de um "porto exportador para importador.

Actualmente o Porto de Luanda está a operar abaixo da sua capacidade instalada, estimada em 15 milhões de toneladas de mercadorias diversas/ano, operando apenas, nos últimos três anos, com quase a metade da sua capacidade.

A título de exemplo, em 2016, o porto registou o movimento de sete milhões 189 mil 943 de toneladas de mercadorias diversas, quando em 2017 houve uma ligeira subida para sete milhões 703 mil e 62 toneladas.

Os valores estão aquém da movimentação do Porto em 2014, considerado um dos anos mais produtivos da empresa portuária, tendo movimentado 13 milhões, 60 mil e 494 toneladas de mercadorias, contra oito milhões 912 mil e 469 em 2015.

Quanto ao volume de contentores movimentados pela empresa pública, em 2017 foram manuesados 683 mil e 548 teu's (unidade de medida utilizada para avaliar o volume de carga que entra ou que sai do porto), contra 541 mil 346 em 2016.

Na linguagem portuária, um contentor de 20 pés é considerado um teu's.

A movimentação destas mercadorias foram feitas por 900 navios comerciais de longo curso, em 2015, contra os 732 (em 2016) e 633 em 2017.

Nos últimos dois anos, a média diária de navios que atracam no porto tem rondado em 1,5, uma média mensal de 42 navios, o que perfaz uma média de 511 navios/ano, provenientes principalmente da Ásia e Europa.

Manuel Zangui lembrou que a produção nacional ainda é muito fraca, situação que não permite ao País exportar em grande escala. “Temos, por exemplo, uma quantidade de contentores que saem do Porto de Luanda para fora do país vazios, em vez de saírem cheios de mercadorias nacionais", acrescentou.

Dada a fraca capacidade de produção nacional, pelo Porto de Luanda tem passado, para exportação de forma residual, bebidas, café e madeira.

Apesar das dificuldades que o país atravessa, para antecipar-se ao “boom” que resultar do processo de diversificação económica em curso no país, que visa aumentar a produção nacional e promoção das exportações, o Porto de Luanda está a dotar-se de meios tecnológicos e infra-estruturas robustas, para responder a demanda dos eventuais exportadores.

Além deste desafio, o maior porto comercial do país aposta na melhoria da sua produtividade e do sistema de comunicação, para competir com outras comunidades portuárias internacionais.

Uma das apostas é aumentar profundidade na área de acostagem e atracagem de embarcações, para receber navios de grande porte e de última geração e potenciar-se com equipamentos que possam movimentar o maior volume de mercadorias.

O Porto de Luanda tem ainda em curso a construção de um Terminal de Cabotagem, bem como a implementação de um sistema informático mais avançado, que vai permitir prestar melhor serviço aos clientes e melhorar a comunicação com as autoridades aduaneiras, segundo o administrador comercial.

Referiu que as infra-estruturas da primeira fase do Terminal de Cabotagem já foram concluídas, faltando a última fase, que poderá ser concluído ainda este ano, caso haja disponibilidade de recursos financeiros para o efeito.

Paralelamente à esta infra-estrutura, afirmou estar em curso a implementação do sistema informático mais avançado encontra-se na fase testes.

Com uma força de trabalho de 465 colaboradores, o Porto de Luanda conta com cinco terminais portuários: terminal de carga geral, terminal polivalente, terminal de contentores, terminal de apoio a actividade petrolífera e terminal multiusos.

A gestão destas infra-estruturas portuárias está sob tutela das empresas privadas, designadamente, Multiterminais, Unicargas, Sogester, Sonils e Soportos, respectivamente. Nestas empresas estão empregados pelo menos três mil trabalhadores.

Historial do Porto de Luanda

O Porto de Luanda foi criado oficialmente a 15 de Junho de 1945, com a inauguração da primeira infra-estrutura portuária denominada "Pontão".

Na altura, o objectivo principal da criação do Porto de Luanda era vocacionado para exportação da produção nacional (café e outras matérias-primas), mas com passar dos anos registou-se uma inversão do seu verdadeiro papel, passando para um porto principalmente importador, em função da dinâmica da economia e a baixa produção nacional.

A história do Porto de Luanda começou propriamente há cerca de 500 anos, quando Paulo Dias de Novais optou por desembarcar numa região próxima à desembocadura do Rio Kwanza.

A baía de Luanda era o ponto ideal, pois, além de permitir combinar as águas profundas e a boa protecção contra as ondas em direcção aos ventos dominantes, também possibilitava a construção de fortificações desde a entrada da Corimba até São Pedro.

Aberta ao comércio estrangeiro em 1844, só aproximadamente duas décadas mais tarde, Luanda viria a conhecer as primeiras obras portuárias, por iniciativa do então governador Calheiros e Menezes, que mandou construir um pequeno cais para lanchas no local designado por Portas do Mar, onde poucos anos antes se fazia o embarque e desembarque dos passageiros dos navios que fundeavam na Baía.

Entretanto, em 1886, o Porto de Luanda teve um grande incremento devido à construção do Caminho-de-Ferro de Ambaca. Na altura, pensou-se em dotá-lo de melhores infra-estruturas, indispensáveis para uma maior eficiência de exploração do referido caminho-de-ferro, que foi o primeiro a ser construído em terras "portuguesas" de África.

Em 1913 iniciaram as obras para construção de um pequeno troço de muro-cais, destinado a substituir a ponte cais existente em frente da alfândega.

Em 1921 sendo alto comissário de Angola o General Norton de Matos e reconhecendo-se a necessidade de dotar o Porto de Luanda de obras indispensáveis ao seu aproveitamento, contratou-se a firma inglesa Norton Griffiths & Co. Ltd, para a execução de um muro-cais na ilha da Nossa Senhora do Cabo destinado aos navios de grande calado.

Esta firma estava também encarregada de construir um cais de cabotagem em frente da cidade, bem como o equipamento e o apetrechamento do Porto com armazéns, guindastes e linhas férreas.

Iniciada a execução desta obra em régie, foi pouco depois a sua extensão notadamente reduzida em virtude da situação financeira da colónia. Em 1925 rescindiu-se o contrato com os empreiteiros da obra, que nesta altura tinham apenas construído um pequeno troço de muro-cais no prolongamento do cais da Alfândega.

Em 1939, em harmonia com a nova política de fomento colonial, orientada pelo então Ministro das Colónias Vieira Machado, foi criada uma missão para realizar um estudo das obras a que seria sujeito o Porto de Luanda, sendo a direcção confiada ao engenheiro Afonso Mello Cid Perestrelo, que em Março de 1940 apresentou um projecto que foi aprovado e para cuja execução foi aberto um concurso em Julho do mesmo ano.

As obras foram adjudicadas em Março de 1941 à firma Anglo-Dutch Engineering and Harbour Works Co. Ltd, começando em Julho deste ano os trabalhos de construção do Porto de Luanda.

Do plano geral do Porto, elaborado pela missão, o primeiro travessão — 1.ª fase das obras portuárias — foi inaugurado em Junho de 1945, aquando da visita a Angola do então Ministro das Colónias, Marcelo José das Neves Alves Caetano, tendo sido fixado, pela portaria ministerial n.º 10, de 23 de Outubro de 1945, o regime transitório de exploração.

Em 1975 Angola tornou-se um Estado independente. Esta mudança política trouxe consigo alterações a nível da gestão dos portos angolanos. Por terem sido considerados estratégicos para o desenvolvimento da economia nacional, em 1980 os portos foram transformados em empresas estatais autónomas, dando-se assim, a separação de gestão entre os portos e os caminhos-de-ferro.

Em 1980 foi criada a Empresa Portuária de Luanda, abreviadamente designada Porto de Luanda, como uma Unidade Económica Estatal (UEE), com sede em Luanda e dependente do Ministério dos Transportes e Comunicações.
 


 



Data: 2018-06-17

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