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LUÍS MIRA DE OLIVEIRA, GRUPO ETE:

«Há espaço para dois ou três operadores nos portos»


Não é de agora o interesse da ETE em Cabo Verde. No anterior governo, o grupo português concorreu à privatização da Cabnave e concessão dos portos, processos que não foram concluídos mas que deixaram intacta a vontade em reforçar a presença no mercado nacional. O primeiro passo está dado, com a criação de uma sociedade de direito cabo-verdiano, licenciada para o transporte marítimo internacional e inter-ilhas. Mas pode haver mais investimento a caminho, com o administrador Luís Mira de Oliveira a confirmar que continua à espera do tiro de partida da corrida às operações portuárias e reparação naval.

 

 

Decidiram reforçar a vossa posição no mercado cabo-verdiano. Porquê e porquê agora?

Porque o grupo quer crescer. Portanto, como tem acontecido com muitas empresas e muitos grupos em Portugal, chega uma altura que temos que internacionalizar para continuar a crescer. Com isto não quero dizer que o nosso processo de internacionalização tenha começado agora, bem pelo contrário, nós começamos há alguns anos, nomeadamente em Cabo Verde, onde temos uma linha tradicional de transporte internacional, operada pela Transinsular, há 29 anos. O tema reforçar e querer actuar em Cabo Verde não é de agora. Já concorremos a alguns concursos aqui em Cabo Verde, nomeadamente concursos lançados, quer para a Cabnave, quer para a operação portuária, pelo anterior governo, talvez há uns 3 anos. O nosso interesse vem de há muito e Cabo Verde é para nós uma extensão natural e um mercado que faz todo o sentido. Nós temos uma dimensão que pensamos adequar-se àquilo que são as exigências de um mercado como Cabo Verde, temos também a noção que não podemos competir com grandes players internacionais e, portanto, o nosso caminho tem que ser feito, precisamente, em mercados de nicho. Depois, temos uma experiência de muitos anos a tratar mercados muito semelhantes ao de Cabo Verde, como é o caso dos Açores e isso dá-nos um grande à vontade e um grande conhecimento para entender esta realidade arquipelágica. Temos um know how acumulado de 80 anos, sempre nestas áreas marítimo-portuárias. O grupo não diversificou para outro tipo de actividades e resistiu sempre a todo este tipo de diversificação e, portanto, é muito focado e muito concentrado no seu core business. Com este know how e com este saber estar e maneira de estar achamos que podemos ser um parceiro interessante para Cabo verde

 

O transporte marítimo inter-ilhas é, desde há muito, uma dor de cabeça para o país. Sei que não descarta a possibilidade de avançar nessa frente, com a empresa de direito cabo-verdiano que criaram. Porquê meter-se numa área que não é fácil nem tem sido particularmente rentável para os operadores?

Mais uma vez, é uma área que conhecemos bem. Não sendo fácil, não terá segredos. O transporte inter-ilhas terá que obedecer a três ou quatro coisas muito simples: sistematização, regularidade, profissionalismo e segurança. São os pontos fortes e factores críticos de sucesso. O facto de, uma vez mais, termos a experiência conseguida nos Açores diz-nos de forma muito clara o que é que temos que fazer em Cabo Verde. Naturalmente que Cabo Verde terá uma apetência natural, de outros operadores, para fazer duas, três ou quatro ilhas, mas Cabo Verde não são quatro ilhas, são nove e temos que ter a noção que, para fazer desenvolver o país e ter um transporte inter-ilhas consistente, ele tem que integrar e tem que diminuir as assimetrias das várias ilhas, a dupla insularidade. Achamos que temos as valências e competências para sermos uma solução. Não temos que ser a única solução, mas sabemos que podemos ser parte da solução e é isso que pretendemos fazer. Também dar nota de que somos um armador no verdadeiro sentido do termo. Isto é, somos um armador que investe e, por isso, temos uma frota própria, com sete navios, seis de contentores e um navio tanque que faz a distribuição inter-ilhas de combustíveis nos Açores. Desta forma, julgamos contribuir para dar um sinal inequívoco do nosso compromisso, ao governo e a Cabo Verde. O navio que vamos colocar em Cabo Verde vai poder fazer o trânsito local mas também regional. As sociedades são constituídas com capital mínimo de 4 milhões de escudos cabo-verdianos e com isso podem operar localmente. Nós, depois de termos feito esta constituição, fizemos já o aumento de capital para 30 milhões de escudos cabo-verdianos, para podermos fazer, além do trafego local, o trafego regional. Cabo Verde pode ter um navio classificado, certificado com standards internacionais, com bandeira cabo-verdiana em águas internacionais e ligando, por exemplo, Cabo Verde à África Ocidental.

 

Admitem associar-se a outras empresas nacionais para o transporte inter-ilhas?

Sim, eu julgo que sim. Não temos nada decidido, nem temos nenhum problema com este tipo de soluções. Como dizia, temos experiências de internacionalização e parcerias locais são uma coisa que subscrevemos. Faz sentido, pode fazer sentido, são sempre temas a estudar caso a caso.


Mantêm a Cabnave debaixo de olho.

Como sabe, o Grupo ETE concorreu à privatização da Cabnave, decidida pelo anterior governo. O Grupo ETE caracteriza-se por ter áreas de negócio muito integradas. Dentro do Grupo, as diversas áreas têm pesos diferentes. Hoje o grupo tem sectores muito fortes, como o transporte marítimo e a área portuária, que representam 80 a 85 por cento de negócio, e tem um conjunto de quatro áreas de menor dimensão, onde está a área de engenharia, construção e reparação naval. Nós gerimos dois estaleiros, no Porto e em Lisboa, e portanto temos know how. É uma actividade que conhecemos bem, que tem crescido e faz sentido que áreas com menor peso ganhem mais peso dentro do universo do grupo. Uma vez mais, Cabo Verde e o seu estaleiro parece-nos uma muito boa oportunidade. Reconhecemos condições muito interessantes no estaleiro da Cabnave, fruto do posicionamento estratégico. Sentimos que os estaleiros têm um muito interessante potencial de crescimento.

 

Os estaleiros precisam de um parceiro com capacidade de investimento, na modernização dos equipamentos e maquinaria. Vocês podem ser esse parceiro?

Podemos. Naturalmente que os investimentos estão, por um lado, ligados às necessidades existentes e, por outro, à capacidade de investir mas também de obter retorno. Portanto, naturalmente, de acordo com as soluções e orientações que o governo definir, encontraremos também as soluções adequadas para suprir essas necessidades. Muito alinhados com o governo, vamos encontrar, com certeza, uma solução que sirva a ambos

 

Os portos também estão incluídos na vossa estratégia. Quais e porquê?

ETE quer dizer Empresa de Tráfego e Estiva. Somos o maior player na área portuária em Portugal Estamos em seis concessões, salvo erro, e em dois portos de cais livre. Portanto, estamos de Norte a Sul, desde Leixões a Sines, passando por Aveiro, Lisboa, Setúbal, Barreiro. Temos uma enorme experiência, se calhar a actividade mais core deste grupo é a portuária. Portanto, como é que estamos em Cabo Verde e não estaríamos nos portos? Estar nos portos em Cabo Verde é, para nós, uma vez mais, uma expansão natural. Quando pensamos de forma integrada, se estamos na parte do transporte marítimo, se conseguirmos estar com a parte dos estaleiros, mais sentido faz, obviamente, estar nos portos. Também aqui temos experiência, também aqui temos experiência nas ilhas dos Açores, para além daquilo que temos no continente. Julgamos que podemos ajudar bastante. Para nós, e uma vez mais, estar nos portos em Cabo Verde não é estar no Mindelo e na Praia. Temos que aproximar as ilhas e isso faz-se com uma operação integrada, com disponibilidade para procurar soluções diferentes para situações diferentes. Não temos a pretensão, nem pensamos que isso fosse bom, de qualquer tipo de monopólio. Devemos estar em mercado aberto, com outros parceiros e operadores. Temos portos com dimensões diferentes e com capacidade e potencial de rentabilidade diferentes, mas temos que encontrar formas equilibradas. Há espaço para dois ou três operadores, com certeza, e nós lidamos muito bem com isso. Temos é que encontrar soluções equilibradas.

 

Pensam em algum porto, em particular?

Não pensamos em nenhum porto. Nós concorremos ao concurso lançado pelo anterior governo, no que diz respeito à privatização dos portos. Nessa altura, foram a concurso quatro portos: Praia, Mindelo, Sal e Boa Vista. Estudámos esses portos mas conhecemos todos os portos de todas as ilhas. Sabemos que há dois portos que têm uma dimensão que do ponto de vista de negócio são mais atraentes, o Mindelo e a Praia. O que fará sentido é que estes portos, naturalmente, estejam em operadores diferentes. Não estudamos nem temos uma preferência por este ou aquele porto, o que queremos é ser parte da solução, um operador com quem se pode contar. Estamos habituados a trabalhar em mercado de concorrência e a encontrar soluções equilibradas, justas e que promovam, de facto, o desenvolvimento da economia das ilhas.

 

Sei que já apresentaram os vossos projectos ao actual governo. Que abertura encontraram?

Nós só podemos dizer que não podiam ter sido mais simpáticos e agradáveis. Têm-nos recebido muitíssimo bem. Tivemos oportunidade de falar com os senhores ministros das Finanças e da Economia em momentos diferentes e por mais do que uma vez e temos tido uma grande disponibilidade e simpatia. As nossas propostas parecem-me que têm sido muito bem recebidas. O governo está num processo de análise e de amadurecimento de alguns temas, o que nos parece absolutamente legitimo.

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