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Berlengas, de Peniche para o mundo com classificação da UNESCO


A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) atribuiu em 2011 a classificação de Reserva da Biosfera às Berlengas, ao largo de Peniche, e a ilha passou a receber visitantes internacionais.

Volvidos cinco anos, ganhou "visibilidade internacional" e acolhe turismo que procura património classificado, refere Maria de Jesus Fernandes, diretora do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), responsável pela gestão da Reserva Natural das Berlengas.

Segundo o ICNF, o número anual de visitantes não aumentou de forma significativa, mas a "notoriedade" que passou a ter veio alterar o perfil dos que procuram o lugar, que recebe agora mais turistas estrangeiros.

Para tal, contribui o facto de as Berlengas figurarem na "lista mundial de locais classificados como reserva da biosfera pela UNESCO", lembra Sérgio Leandro, da direção da Escola Superior de Turismo de Tecnologia do Mar, em Peniche.

Para o presidente da Câmara de Peniche, António José Correia, "a atribuição do galardão foi um passo determinante para o reconhecimento internacional do valor do seu património".

As três entidades, que integram o grupo de gestão da reserva da biosfera, e que foram responsáveis pela candidatura ao galardão em 2009, são unânimes em afirmar que a classificação "aumentou as suas responsabilidades", uma vez que são o garante da convivência entre conservação da natureza, ocupação humana e desenvolvimento económico da ilha.

Para alcançar esse equilíbrio, estão a ser investidos 1,4 milhões de euros, através do Programa "Life Berlengas", destinado a dar resposta à conservação da biodiversidade e a melhorar a experiência de visitação para os turistas. "A criação, em 2015, do centro de visitação é um dos exemplos do investimento", salienta António José Correia.

O autarca pretende no futuro fazer das Berlengas "um exemplo nacional e internacional ao nível do equilíbrio entre a presença do homem e a conservação da natureza".

Contudo, "o nível de visitação à ilha e a exploração de recursos através da pesca colocam em causa a sustentabilidade, de acordo com as condições atualmente existentes", alerta Sérgio Leandro.

Por isso, autarquia, ICNF e escola superior concordam que são necessários mais investimentos para manter esse equilíbrio. O plano de ação existe e inclui investigação científica e monitorização da visitação, entre outras ações, mas falta o dinheiro para implementar medidas que minimizem mais os efeitos da presença humana.

Além da restrição do número de visitantes, a intervenção "mais urgente" passa pela necessidade de criar infraestruturas de gestão e tratamento dos resíduos e dos esgotos produzidos na ilha, defende a responsável do ICNF.

A ilha das Berlengas é uma das atuais 12 reservas nacionais da biosfera da UNESCO e já estava classificada desde 1981 como Reserva Natural.

A importância da conservação desta área natural à escala Europeia foi reconhecida em 1997, ao ser classificada como Sítio da Rede Natura 2000, ao abrigo da Diretiva Habitats.

Em 1999 foi classificada como Zona de Proteção Especial para as Aves Selvagens, ao abrigo da Diretiva Aves.

Além destes estatutos, encontra-se ainda classificada pelo Conselho da Europa como Reserva Biogenética.

Localizado a seis milhas de Peniche, o arquipélago das Berlengas é um local de reprodução e abrigo para muitas espécies aquáticas, entre as quais a sardinha, o robalo, o sargo, o pargo, a dourada, o mero e diversos cetáceos, como também de aves marinhas - pardela, corvo e airo, que, apesar de ser o símbolo da reserva, deixou de lá nidificar pela existência de espécies predadoras, como a gaivota e o biqueirão, e pela captura acidental nas artes de pesca.

A flora da reserva é composta por mais de uma centena de espécies.

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