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Isto não são fotografias de peixes, são desenhos científicos


Entre aguarelas e tinta-da-china, as cores intensas de 40 ilustrações científicas de peixes transmitem uma enorme sensação de vida e preenchem a Sala Azul, a cor do mar portanto, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência de Lisboa. O pormenor marca esta exposição de Pedro Salgado, conhecido ilustrador científico, e Cláudia Baeta, que estará aberta ao público até finais de Agosto.

Pode ver-se um peixe-galo, um caboz-ocelado, um boga-de-boca-arqueada, um bordalo – ou um peixe-lua, o maior peixe ósseo do mundo, bastante arredondado e que pode ter três de comprimento e quatro de altura. Ilustrações que muitas vezes demoram tanto a fazer como escrever um livro ou fabricar um carro. Podem levar três minutos, 30 horas, 30 dias ou três meses e exigem um enorme trabalho e dedicação. Pedro Salgado e Cláudia Baeta não descuram o rigor e a minúcia em todos os seus trabalhos.

“São desenhos muito rigorosos, muito minuciosos e que, muitas vezes, passam por fotografias para quem olha pela primeira vez, assim de repente”, diz ao PÚBLICO Pedro Salgado, biólogo de formação. “Depois, começam a olhar com mais cuidado: ‘Alto lá, isto não é uma fotografia. É um desenho!’ E, normalmente, a reacção das pessoas é de algum espanto pelo trabalho que implica fazer aquelas peças.”

Afinal, não se trata apenas da ilustração científica de 40 espécies de peixes. Esta é também uma outra forma de comunicar não só com o público mas, também, com os cientistas. “Muitas vezes, os próprios cientistas passam um bocadinho ao lado da importância da ilustração em termos de comunicação e pensam que a fotografia pode perfeitamente cobrir esse papel. Isso não é verdade, de todo”, diz Pedro Salgado.

Não há nada que passe ao lado dos ilustradores científicos: são lidos artigos científicos, são observados animais vivos, conservados ou congelados. Quando não existem os animais, ficam-se pelas fotografias, que, apesar de tudo, são insuficientes em termos de informação. As escamas são todas contadas e fazem-se medições muito rigorosas. As cores são aferidas, até se encontrar a tonalidade certa. Nada, mas nada, lhes passa ao lado. E tudo é importante para distinguirem e representarem as espécies.

“As fotografias são outro elemento muito importante: muitas vezes permitem-nos ter a cor, porque o animal conservado já a perdeu. E depois desse material todo cozinhado, daí saem os primeiros esboços, que são dados ao cientista para ver se está tudo correcto. Só a partir daí é que se desenvolve a arte-final. Isto é um modus operandi, que é global para todas as ilustrações”, explica ainda Pedro Salgado.

“Começar com uma ilustração de manhã e acabá-la à noite é totalmente utópico. Quando falamos de uma peça que demorou 200 horas, é muito possível que as primeiras 100 horas sejam dedicadas só ao processo preliminar. Muitas vezes, tem-se a ideia de que pegamos num papel, fazemos um desenho e já está! Mas antes de começar a fazer a arte-final, existe muito, muito trabalho”, refere Pedro Salgado, sendo interrompido por Cláudia Baeta, designer de comunicação e ilustradora científica: “E o rigor é aquilo a que mais queremos chegar.”

Integrada nas V Jornadas Ibéricas de Ictiologia, congresso internacional no fim de Junho e contou com a presença de 180 cientistas que trabalham com peixes, a maioria de Portugal e Espanha, a exposição intitulada Illustrating Fish destina-se a toda a gente.

“O desenho e a ilustração atraem sempre o público de qualquer área: pessoas com formações muito diferentes e de sítios muito diferentes. As pessoas têm sempre empatia para com o desenho”, diz Cláudia Baeta, que em tempos fora aluna do seu actual colega.

Pedro Salgado foi um dos principais impulsionadores do desenho científico em Portugal depois do 25 de Abril. A sua formação passou pelos Estados Unidos, mais precisamente, pela Universidade da Califórnia em Santa Cruz. Primeiro, instalou-se em Las Palmas, nas ilhas Canárias, mas em 1996 regressou de vez a Portugal.

É o autor da ilustração do famoso celacanto, um fóssil-vivo que se pensava estar extinto desde há 65 milhões de anos, até que em 1938 se pescou um ao largo de Moçambique. O que Pedro Salgado desenhou, sem que tivesse resultado de uma encomenda, feito como cartão-de-visita do seu trabalho, também foi encontrado naquela região. Foi-lhe parar às mãos por sorte: do Museu de História Natural de Moçambique avisaram-no da descoberta desse celacanto em 1992, uma fêmea com 26 embriões dentro da barriga, e disseram-lhe que talvez o pudesse desenhar se escrevesse para lá.

Com o celacanto à frente dos olhos, dentro de um frasco com líquido de preservação, Pedro Salgado dedicou-se então durante mais de dois meses a essa ilustração feita a tinta-da-china e que lhe valeu, em 1994, o primeiro prémio do Congresso Mundial de Comunicação Biomédica, nos EUA. Agora, o celacanto é uma das estrelas da exposição em Lisboa, ao lado de outras 39 peças que estão à espera da sua visita. Como o escalo-do-arade, nativo da bacia do rio Arade e de mais quatro pequenas bacias hidrográficas do Algarve, que se encontra criticamente em perigo de extinção.

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